
Mas a mudança acarretou suas conseqüências inevitáveis, e uma delas foi afastar-me de amigos queridos, por força mesmo das circunstâncias, ou seja, tive que sair de uma situação que já não me satisfazia mais bem, para enfrentar novas experiências e desafios, mas para isso tive que me afastar do ambiente onde estava acostumada a conviver e da companhia de amigos com os quais compartilhava uma amizade sincera e verdadeira. Apesar disso, vi que o meu apego às pessoas e situações estava me “travando” e influindo bastante em setores importantes de minha vida, que estavam sendo deixados de lado por que eu não queria afastar-me das situações “estáveis” e das pessoas com quem estava acostumada a conviver.

Porém, eu tinha chegado num estado tal de ansiedade e saturação que vi que uma mudança era inevitável; senti, com bastante nitidez, que havia chegado para mim a hora do desapego, e que já estava no momento de seguir outros rumos e adquirir novas experiências. Mas, entre falar e vivenciar o desapego há um espaço muito grande, pois ele mexe bastante com nossas emoções, deixando-nos vulneráveis e emotivos. Sim, não é fácil sairmos de nossa rotina, da sintonia com quem convivemos e nos lançarmos em situações diversas daquelas com as quais estamos acostumados, de afastarmo-nos de nosso “chão” e aconchego; ficamos como que perdidos e nos sentindo assim que nem um peixe fora d’água.

Mas chega um momento na vida em que é necessário reconhecer que a mudança é imprescindível, pois as circunstâncias atuais não são mais condizentes com nosso modo de ser e sentir e nem favorecem mais o nosso desenvolvimento, seja ele espiritual, material, intelectual, enfim, que não nos beneficia mais em todos os sentidos. A mudança, então, surge como sinônimo de renovação, incitando-nos a libertarmo-nos de tudo o que nos impossibilita de seguirmos em frente, no caminho da reestruturação de nosso ser.

Essa mudança é muitas vezes uma experiência nova e ao mesmo tempo assustadora, pois vamos constatar que para seguirmos adiante em nossos propósitos de mudança, precisamos, às vezes, largar o velho para seguir o novo;, significa que vamos ter que nos despedir de situações e planos antigos, que não estão nos fazendo ir a lugar nenhum e mergulharmos em novos caminhos, novos conceitos, livrarmo-nos dos pesos extras que tanto entulham nossa vida e aprendermos a aceitar o novo com o espírito receptivo e aberto.
É verdade que o desapego, de um certo modo, olhando exclusivamente do ponto de vista anterior, nos faz “sofrer”, pois nos sentimos assim como se tivéssemos chegado onde gostaríamos de estar sempre, e descobrimos que não podemos continuar a desfrutar do que conseguimos, e que, para nosso próprio bem, precisamos libertarmo-nos de situações do passado.








